{"id":1519,"date":"2019-05-03T00:11:24","date_gmt":"2019-05-03T03:11:24","guid":{"rendered":"https:\/\/forestgreen-eel-177930.hostingersite.com\/v1\/?page_id=1519"},"modified":"2021-10-08T01:52:13","modified_gmt":"2021-10-08T04:52:13","slug":"pelo-resgate-do-humanismo-no-atendimento-medico","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/imeclinicacidada.com.br\/v1\/fale-conosco\/sala-de-imprensa\/pelo-resgate-do-humanismo-no-atendimento-medico\/","title":{"rendered":"Pelo resgate do humanismo no atendimento m\u00e9dico"},"content":{"rendered":"\n<p>Atuo h\u00e1 mais de 30 anos como m\u00e9dica oftalmologista e, h\u00e1 18, comando uma cl\u00ednica cidad\u00e3, que presta atendimento de alta qualidade a pre\u00e7o baixo para as classes C e D. Sei que a rotina di\u00e1ria do m\u00e9dico na contemporaneidade pode ser muito exaustiva e at\u00e9 penosa e, diante disso, me proponho a focar aqui em um valor que, ainda assim, precisa ser resgatado e refor\u00e7ado com urg\u00eancia na nossa classe: o humanismo no atendimento ao paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre as adversidades que dificultam a atua\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico no Brasil, figuram os impasses financeiros com os planos de sa\u00fade, que imp\u00f5em uma agenda extremamente lotada para a obten\u00e7\u00e3o de valores incompat\u00edveis com a responsabilidade e com a carga de trabalho, gerando insatisfa\u00e7\u00e3o, bem como as dificuldades da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, na figura do SUS (Sistema \u00danico de Sa\u00fade) \u2012 longas jornadas, sobrecarga, baixa remunera\u00e7\u00e3o, falta de medicamentos e at\u00e9 de materiais b\u00e1sicos e aus\u00eancia de equipamentos de ponta. Quem segue carreira em consult\u00f3rio pr\u00f3prio ou em sociedade em cl\u00ednica particular \u00e9 obrigado a lidar com elevados custos de manuten\u00e7\u00e3o, sazonalidade de demanda e recrutamento peri\u00f3dico de bons funcion\u00e1rios, fatos que, n\u00e3o raro, podem representar muitos aborrecimentos e custos.<\/p>\n\n\n\n<p>Imerso nesse cen\u00e1rio desanimador, o m\u00e9dico pode tender a automatizar seu atendimento, deixando de lado o valor essencial do tratar bem, de maneira atenta, humana, respeitosa, aquele cidad\u00e3o que o procura necessitado de cuidados. E da\u00ed surge a iminente pergunta: afinal de contas, por que e para que n\u00f3s optamos mesmo pela medicina em nossas vidas?<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, n\u00e3o s\u00e3o poucas as cr\u00edticas da popula\u00e7\u00e3o aos atendimentos-rel\u00e2mpago, seja via conv\u00eanio ou SUS, em que o profissional, robotizado e subjugado pela carga de trabalho di\u00e1ria, mal olha no olho do enfermo. A isso vale acrescentar que, lamentavelmente, existe tamb\u00e9m uma parcela de rec\u00e9m-formados que nutre forte preocupa\u00e7\u00e3o em auferir logo uma alt\u00edssima remunera\u00e7\u00e3o na carreira, migrando muito cedo para \u00e1reas \u201cmais rent\u00e1veis\u201d, em detrimento de outras mais ligadas \u00e0 preven\u00e7\u00e3o ou ao diagn\u00f3stico de doen\u00e7as graves, que demandam pesquisa e dedica\u00e7\u00e3o acad\u00eamica.<\/p>\n\n\n\n<p>Meses atr\u00e1s, tive um mal-estar em viagem a terras norte-americanas e tive de procurar um hospital. O epis\u00f3dio me fez observar o quanto o olhar e a sensibilidade do m\u00e9dico v\u00eam sendo substitu\u00eddos l\u00e1, de forma indiscriminada e at\u00e9 indevida, pelo uso de m\u00e1quinas e de exames sofisticados para uma simples dor de barriga. Enfermeiros medem press\u00e3o e temperatura e pronto. E o m\u00e9dico quase n\u00e3o conversa e pouco toca no doente e n\u00e3o faz uma anamnese dedicada. Espero, sinceramente, que essa pr\u00e1tica distorcida, dependente do diagn\u00f3stico computadorizado e caro, n\u00e3o se torne rotina em nossa na\u00e7\u00e3o. Vislumbrando novos rumos para sa\u00fade brasileira, esse seria um p\u00e9ssimo caminho para trilharmos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ciente dessa realidade, tenho pautado minha vida profissional em tr\u00eas valores b\u00e1sicos que n\u00e3o podem faltar a um m\u00e9dico, qualquer que seja sua condi\u00e7\u00e3o de trabalho: aten\u00e7\u00e3o, carinho e zelo pelo paciente. Esse trip\u00e9 representa, em suma, o tratamento digno a qualquer cidad\u00e3o. Sendo assim, venho irradiando essa vis\u00e3o por meio de um modelo de cl\u00ednica social, que desenvolvi com o apoio de v\u00e1rios colegas em Uberl\u00e2ndia (MG). Eles atendem em suas cl\u00ednicas particulares, mas dedicam parte de seu tempo semanal a consultas a R$ 100, com direito a retorno em 15 dias. Parte do segredo de sucesso est\u00e1 exatamente na solidariedade de profissionais experientes e reconhecidos que atendem a pessoas que n\u00e3o conseguiriam arcar com os custos de uma consulta no valor de mercado e, muito menos, manter os custos mensais de um conv\u00eanio m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil gerir esse sistema, mas ele tem crescido e se multiplicado nesses 18 anos, devido ao entendimento fundamental de que, antes de sermos m\u00e9dicos, somos cidad\u00e3os e de que, antes de sermos cidad\u00e3os, somos humanos. Portanto, o atendimento precisa ensejar sempre uma rela\u00e7\u00e3o de igualdade e de reciprocidade, com sensibilidade, empatia e compaix\u00e3o. O modelo da cl\u00ednica cidad\u00e3, obviamente, n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica sa\u00edda para o sistema de sa\u00fade funcionar. Mas, com certeza, \u00e9 uma alternativa relevante.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, minha mensagem principal aqui est\u00e1 mesmo ligada ao resgate da base da decis\u00e3o pela carreira de medicina e pelo que ela guarda de mais edificante: a preserva\u00e7\u00e3o da vida humana. N\u00f3s, m\u00e9dicos, temos de nos esfor\u00e7ar para equilibrar, cotidianamente, nossa preocupa\u00e7\u00e3o com sobreviv\u00eancia e lucro e o fato de estarmos diante de um pa\u00eds ainda t\u00e3o desigual como o nosso. A pr\u00f3pria classe m\u00e9dica tem o dever de buscar novas solu\u00e7\u00f5es nesse sentido, evocando sempre a nobre miss\u00e3o da nossa profiss\u00e3o, submetendo-se a exames cr\u00edticos individuais peri\u00f3dicos e mobilizando os pares em discuss\u00f5es fundamentais como a carga tribut\u00e1ria sobre os m\u00e9dicos. Podemos, por exemplo, pleitear contrapartidas de incentivo fiscal do governo para os profissionais que atendem \u00e0 popula\u00e7\u00e3o mais desfavorecida.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, ressalto que, no Brasil, um quadro de desumaniza\u00e7\u00e3o no atendimento ao paciente provoca ainda mais danos quando estamos falando de classes C e D. Isto porque essa parcela j\u00e1 sofre, todos os dias, com v\u00e1rios desrespeitos somados, de habita\u00e7\u00e3o, saneamento, mobilidade, nutri\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o. Por tudo isso, visando a um pa\u00eds mais saud\u00e1vel, sustent\u00e1vel, igualit\u00e1rio e feliz, n\u00f3s, m\u00e9dicos, precisamos abra\u00e7ar nossa parcela di\u00e1ria de responsabilidade social, resgatando com urg\u00eancia o humanismo no atendimento ao paciente e propondo solu\u00e7\u00f5es boas para todos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Jussara Mendes Lopes Matsuda, m\u00e9dica oftalmologista, diretora-presidente do IME \u2013 Cl\u00ednica Cidad\u00e3, p\u00f3s-graduada em gest\u00e3o em administra\u00e7\u00e3o e&nbsp;<\/em>marketing<em>&nbsp;em sistemas de sa\u00fade pela USP, finalista no desafio Feedback Labs, da organiza\u00e7\u00e3o internacional Ashoka, em 2014, vencedora do Pr\u00eamio Empres\u00e1rio Her\u00f3i, da FIEMG (Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de Minas Gerais), em 2011, e finalista do Pr\u00eamio Empreendedor Social da Funda\u00e7\u00e3o Schwab\/Folha de S.Paulo, em 2006.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-button alignright is-style-default\"><a class=\"wp-block-button__link has-background\" href=\"https:\/\/forestgreen-eel-177930.hostingersite.com\/v1\/fale-conosco\/sala-de-imprensa\/\" style=\"background-color:#007e37\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Voltar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atuo h\u00e1 mais de 30 anos como m\u00e9dica oftalmologista e, h\u00e1 18, comando uma cl\u00ednica cidad\u00e3, que presta atendimento de alta qualidade a pre\u00e7o baixo para as classes C e D. 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